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O paradoxo da implementação: porque investir em IA não garante bom resultado
* Por Thiago Oliveira
A corrida pela adoção de inteligência artificial já é uma pressão competitiva concreta. Com projeções bilionárias de investimento global nos próximos anos, a tecnologia passou a ocupar o centro das estratégias corporativas. Nunca se investiu tanto em IA, porém uma parcela significativa das empresas continua avançando pouco em maturidade digital. O problema, na minha visão, não está na tecnologia em si, mas na forma como ela vem sendo implementada.
Existe uma diferença clara entre testar IA e operar com IA. Muitas organizações ainda tratam a tecnologia como um experimento paralelo, conduzindo pilotos isolados que raramente saem do papel ou impactam o resultado financeiro. Essa abordagem, embora confortável, cria uma falsa sensação de inovação. No fim do dia, o que deveria ser um motor de crescimento se torna apenas mais uma linha de custo e, pior, um fator de atraso competitivo.
A mudança mais relevante que tenho observado nas lideranças é a evolução da pergunta. Antes, discutia-se o potencial da ferramenta, já hoje a discussão gira em torno de resultados concretos. E essa mudança é positiva, mas expõe uma fragilidade: poucas empresas conseguem, de fato, conectar a inteligência artificial aos indicadores que importam, como receita, margem e eficiência operacional. Sem essa conexão, qualquer iniciativa tende a se diluir em esforços fragmentados.
Nos setores mais críticos da operação, essa diferença de maturidade fica ainda mais evidente. Em vendas, por exemplo, empresas menos maduras ainda operam com lógica de volume, com disparos massivos e genéricos que pouco convertem e desgastam a relação com o cliente. Já as operações mais avançadas utilizam IA para prever comportamento, ajustar abordagens em tempo real e orientar decisões com base em dados complexos. Isso é gritante quando falamos de resultado.
Essa lógica também começa a transformar outras áreas diretamente ligadas à experiência e à conversão do cliente, como o marketing que, por sua vez, tem avançado mais rapidamente, mas nem sempre de forma estratégica. Ainda é comum ver o uso de IA restrito à produção de conteúdo em escala, desconectado do funil de vendas. Isso gera eficiência criativa, mas não necessariamente resultado de negócio. O verdadeiro salto acontece quando a tecnologia deixa de atuar apenas na geração de conteúdo e passa a integrar diferentes etapas da jornada do cliente, conectando dados, comportamento e personalização para aumentar conversão e retenção.
Talvez o exemplo mais emblemático esteja na área de cobrança, historicamente vista como um processo reativo. Durante muito tempo, a IA foi utilizada apenas para reduzir custos operacionais, substituindo atendimentos humanos por interações automatizadas básicas. Hoje, porém, já é possível antecipar comportamentos, negociar com empatia e preservar o valor de longo prazo do cliente. Essa mudança de abordagem transforma completamente o papel da cobrança: de centro de custo para alavanca de receita.
Maturidade digital não se mede pela quantidade de ferramentas adotadas, mas pela capacidade de gerar impacto real e mensurável. Empresas mais avançadas conseguem acompanhar indicadores concretos, como ROI, ganho de eficiência operacional, aumento de conversão e retenção de clientes. Implementar IA sem um objetivo claro ou sem definir quais KPI’s serão impactados é apenas adicionar complexidade à operação. O cenário atual já não permite uma postura contemplativa: a inteligência artificial está elevando o nível de exigência do mercado, e as empresas que conseguirem conectar tecnologia a resultado financeiro concreto serão as que liderarão os próximos ciclos de crescimento.
* Thiago Oliveira é CEO e fundador da Monest, empresa de recuperação de ativos através da cobrança de débitos por uma agente virtual chamada Mia, conectada por inteligência artificial. Imerso no empreendedorismo desde o início da carreira, com apenas 19 anos ganhou a liderança da equipe de desenvolvimento da Ometz, o que lhe deu o entusiasmo de fundar o Hotel Já, uma startup que oferecia hotéis de alto padrão a um custo muito mais acessível para reservas de última hora. Depois, Thiago fundou a Davai, empresa de tecnologia e desenvolvimento, onde atuou em 15 projetos por 6 meses, alguns bem expressivos como Fórmula 1 e Expedia. Atuou como CTO de empresas líderes em inovação no ecossistema de Curitiba, como Hero99 e Beracode. Nesse período, administrou e promoveu o projeto Philips of Holland, que começou no Brasil e hoje ganha proporções mundiais. Graduado pela PUC/PR em Sistemas de Informação, com especialização em Machine Learning pela Udacity (2018). Mais de 15 anos de experiência no setor de tecnologia, com uma atuação consolidada no mercado de cobrança há mais de 10 anos. Eleito umas das 50 lideranças de Finanças e Risco pelo CMS Financial Innovation 2023
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